terça-feira, 10 de agosto de 2010

Espera


Eu e tu estamos quebrados e separados, vítimas de peças dos próprios corações.
Agora somos seres inseguros que se calam a todo custo, não olhamos nos olhos e praticamos a covardia.

Emudecida, levo tempo em demasia para formular uma única frase. Enquanto mocinhas choram a desabar por não serem amadas, eu choro por que queria amar mais.
Minto, amo demais, choro por não amar certo.

Te espero, através da eternidade por um reencontro fantasma.
Nem sabes como eu chorei e sofri ao relento, sentindo-me só e sendo protegida por tantos braços. Pois era no teu abraço que existia conforto.

Fostes meu amor no molde errado e desorientado, mas fostes grande. És.
Se pensas que é injustiça, injustiçados somos, amando tanto quanto, com toda a diferença do querer.

Não encaixamos, feito botas de couro em pés inchados.
Mas na esperança que guardo, ficamos indefinidamente em uma forma, nos moldando até um dia nos suportarmos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sorrio


Eu preciso de uma música, só agora.
Suave, prazerosa, como o arrepio na minha nuca.
Eu não quero saber de letras,
Só vozes, só melodia.
Eu não me importo com dizeres, com o que dizes
Eu enxergo todas as linhas, eu tenho a maior visão do mundo.
Eu sinto.
Eu não compreendo.
Argumentos? Pra que preciso deles?
Tão mais fácil só ser levada, me deixe ser levada.
Estou mais perto do paraíso do que nunca.
Eu.
Eu.
Eu sei.

sábado, 31 de julho de 2010

Pêndulo




Eu estou correndo em sonhos
Enquanto minha camisola cor de pêssego escorrega.
Há abertura entre seios cheios de carne
E lençóis invisíveis que me protegem.

E nada chega perto de um sentimento familiar
Que em outrora cortou a respiração
Em plena planície de frescor.

Não esquecido, nem aquecido
É aquele que permanece
Em passado,
Juntado aos pensamentos dos sonos.

Só na manhã
Em plena janela que avista prédios cinzas,
Acordo.
Enquanto lembro mais a voz
Que pendeu meu sombreamento.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cega


As palmas e os sons enlouquecendo,
O ritmo que persegue meu rabo de saia
num giro de pomba arrepia os pelos.
E meus seios já intumescidos não te reconhecem na vala.

Tua boca, toda
Me voltas e me tragas como um último sopro de vida.
Deixa meus passos errantes,
Iguais ao meu rubor que intimidou-se de seu olhar.

Na dança das batidas eu mais caio,
e já cega das luzes...
minha frente só sente e chora mais a alegria
de uma esperança de te ver cantar.

Mover as pernas e braços
Em todas as direções, sem enxergar-te
Tua voz é suficiente para embalar e sentir-te.
Eis que já decorei tua pessoa,
Feito a recordação que me fincas desde sempre
No vento.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mentiras



A muito mergulhei em pranto
Tanto.

Por hora, Cansei as lástimas
e o invento de verdades.

Nunca me vitimei,
Só sonhei a invenção de paz.

Meu pai crucifiquei...
Dor pesante a menos.

Não é má quem eles querem
Nem há voz que os superem.

O meu único pertence
É a leveza da consciência.

Bravo! Meus ideais!
Viva a justiça dos puros.

Eu encontro tanto amor
Que a distorção não me afeta mais.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

crua


A noite me protegeu nos braços dele.

Eu e ele banhados pela leve luz enevoada da lua,

tão suave e líquida, purificando nossas almas

para serem perdoadas no último segundo.


Somos filhos dessa noite

que esconde a sujeira das ruas,

as marcas de meu corpo e nossas caras de gozo.

Todo o descontrole e destreza nos nossos dedos

encobertos por um segredo noturno que diverte os amantes.



Pico




O que é verdade ou não
ele não percebe.
Fica por fora falando o que não deve,
falou por intuição.

Ele não é mais daqui
e eu fugi de mim.
Procurei nos cantos escusos corpo novo
lembrando ele pegando fogo.

Com a incompatibilidade de nossas brigas
atravanquei os dias dele.
Ele me feriu sem ter saída...
não foi culpa, foi brincadeira da mente.

No rebanho de estrelas
em que me congelo
nao há cadente que me conceda
um alívio para o meu ego.

A nossa finalização
será uma grande dramatização:
No pico de uma montanha
estamos de costa um para o outro
lá se dá nossa última barganha
então nos jogamos sem lembrar mais de algum rosto.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Cama


Edredom enrolado, ah o meu lençol
travesseiros amassados
cabelo embaraçado
Sempre quis rimar a palavra rouxinol.

Sou espreguiçadeira
matuto a noite
dei leveza que nem poeira
a escuridão foi a fonte.

Esqueci o que é escrever
afinal adotei a horizontalidade
Sexo, dormir e até comer
onde foi parar a sagaz idade?

Deitei, ronquei
Meu sono foi breve demais
Tão quanto foi eternidade.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

versinho fajuto do malandro


Garoto de lua
marrento sem causa
que espiono em escutas
louco por rabo de saia

Baixinho danado, enfeitado
Não sabe se gosta da rua
ou se casa com o sexo reservado
as vezes ele queria uma puta.

Já foi drogado e largado.
Nunca vai ser santo,
contudo agrada até as altas de salto...
De tanto chamego que ele saiu dando.

Realmente não entendo,
um jeito quase tirano
que me fala todo pensamento
e se faz de insano.

Não sossega, não sossega
e do nada briga e foge feito ratazana.
Na verdade eu fui cega..
ele é um cagão e um sacana.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O tal ruim


Nos últimos tempos, enquanto as estações passavam, eu parei de escrever.

Agora eu preciso pregar meus sádicos momentos em palavras que permanecem para sempre. Para o meu bem. Para respirar um pouco mais e abertamente como se tivesse cheirado vick até desobstruir o cérebro todo.

Minha tragicômica realidade no último inverno, primavera e início de verão foi melodramática e "enozada"... Como barbantes de pipas antigas... Irritantes, nostálgicos e prestes a trazer um novo prazer.

A cada ano que passa eu preciso ter alguma decepção, do contrário a satisfação geral me causa algum desconforto. Eu costumo esperar por algo de ruim, e quanto mais espero, pior se torna o tal ruim... Que ele venha de uma vez! O meu tal ruim dos últimos tempos deixou-me tão pasma ao ponto de me afastar da poesia e das escritas. Foi surpresa decepcionante de como as pessoas não são o que vemos. Nada que me traumatize para sempre, afinal cá estou.

Nesse meio tempo, achei que estava apaixonada três vezes; quebrei a cara algumas vezes mais e me diverti de forma incontável. A forma de escape para a grande maioria das lamentações foi dançar. Acho que nunca o fiz de maneira tão vistosa, chamando olhares para perto. Olhares de depreciação, sexualidade, estranhamento e por momentos até inveja.

Por outro lado, acho que acabei engordando. Como sempre, faço dietas que não existem. Ou existem por dois a três dias: Segunda, terça e ligeiramente quarta. Não que eu me preocupe em demasia, por que pelas ruas não costumo ouvir comentários negativos... Porém existem os pais para sempre lembrar como o filho é imperfeito. Eles sempre fazem isso, lembram 80% das vezes das falhas, 10% dos acertos e 10% tentam esquecer dos filhos. Os meus gostam de me dizer que estou gorda, comprando propositalmente roupas menores do que minha numeração para obrigar-me a emagrecer.

O meu ano já está acabando, com grandes progressos. É, até que foi divertido. Eu beijei tanto o quanto eu queria, em mais bocas do que deveria... Dormi demais, exatamente como eu adoro fazer. Minha vida sexual não costumo comentar em textos biográficos, contudo, a vida é boa. E como meta para o ano que vem, procurarei um tratamento para a melhora da memória e da minha falta de atenção em situações necessárias.

Não gosto muito de escrever conclusões, elas sempre têm o mesmo tom. Então só digo que eu continuo a mesma: mudando constantemente para tornar-me cada vez mais inconstante.