sexta-feira, 15 de maio de 2009

versinho fajuto do malandro


Garoto de lua
marrento sem causa
que espiono em escutas
louco por rabo de saia

Baixinho danado, enfeitado
Não sabe se gosta da rua
ou se casa com o sexo reservado
as vezes ele queria uma puta.

Já foi drogado e largado.
Nunca vai ser santo,
contudo agrada até as altas de salto...
De tanto chamego que ele saiu dando.

Realmente não entendo,
um jeito quase tirano
que me fala todo pensamento
e se faz de insano.

Não sossega, não sossega
e do nada briga e foge feito ratazana.
Na verdade eu fui cega..
ele é um cagão e um sacana.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ações


Vida é muito pior do que se espera em situação inesperadas. Se quer saber, a diferença entre novelas e a realidade é que aqui os segredos não são sempre desmascarados e então tudo pode parecer mais monótono... ou não. Ou então se finge que não sabe, isso chama-se comodidade e conduta de boa vizinhança.


Se eu for pensar no meu pequeno círculo insignificante, posso lembrar de histórias bem novelísticas. Como a que se segue abaixo, com nomes bem a la drama mexicano.

"Ana Rosália, menina moça de 15 anos era muito festeira e seus cabelos loiros e lisos só não chamavam mais atenção do que suas pernocas amostra, nas suas roupas justas e curtas. Porém, as peraltices de moleca resultaram em uma gravidez indesejada e uma temporada no exterior(para esconder o que era óbvio). Um ano depois, a família retorna com uma pequena menina de cabelos escuros nos braços de Adélia Rejane, sua avó e agora mãe. Sim, Adélia Rejane adota a menina e esconde de toda a sociedade que a pequenina é sua neta e não filha. Mãe e filha passam os anos juntas, sendo criadas como irmãs. Anos mais tarde, pouco tempo após o décimo segundo aniversário de Laurena, a vítima de um segredo cruel, acaba recebendo a verdade de uma forma monstruosa. Valério Sampaio, o tio de Laurena, um homem arrogante, petulante e halterofilista, colecionava mulheres em seu currículo. Porém, um dia, uma de suas conquistas não aceitou ser dispensada como uma qualquer e resolveu se vingar. Ela que sabia da história da "adoção" e resolveu contar a menina Laurena a verdade cruelmente."


Bom, a guria não perdoou totalmente a mãe biológica, mas elas se aturam até hoje, mais de 20 anos após a descoberta. Como de costume, a vida teima em nos colocar em situação desnecessárias e contrangedoras. Vida essa que nada mais é do que ações, pessoas e acasos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O tal ruim


Nos últimos tempos, enquanto as estações passavam, eu parei de escrever.

Agora eu preciso pregar meus sádicos momentos em palavras que permanecem para sempre. Para o meu bem. Para respirar um pouco mais e abertamente como se tivesse cheirado vick até desobstruir o cérebro todo.

Minha tragicômica realidade no último inverno, primavera e início de verão foi melodramática e "enozada"... Como barbantes de pipas antigas... Irritantes, nostálgicos e prestes a trazer um novo prazer.

A cada ano que passa eu preciso ter alguma decepção, do contrário a satisfação geral me causa algum desconforto. Eu costumo esperar por algo de ruim, e quanto mais espero, pior se torna o tal ruim... Que ele venha de uma vez! O meu tal ruim dos últimos tempos deixou-me tão pasma ao ponto de me afastar da poesia e das escritas. Foi surpresa decepcionante de como as pessoas não são o que vemos. Nada que me traumatize para sempre, afinal cá estou.

Nesse meio tempo, achei que estava apaixonada três vezes; quebrei a cara algumas vezes mais e me diverti de forma incontável. A forma de escape para a grande maioria das lamentações foi dançar. Acho que nunca o fiz de maneira tão vistosa, chamando olhares para perto. Olhares de depreciação, sexualidade, estranhamento e por momentos até inveja.

Por outro lado, acho que acabei engordando. Como sempre, faço dietas que não existem. Ou existem por dois a três dias: Segunda, terça e ligeiramente quarta. Não que eu me preocupe em demasia, por que pelas ruas não costumo ouvir comentários negativos... Porém existem os pais para sempre lembrar como o filho é imperfeito. Eles sempre fazem isso, lembram 80% das vezes das falhas, 10% dos acertos e 10% tentam esquecer dos filhos. Os meus gostam de me dizer que estou gorda, comprando propositalmente roupas menores do que minha numeração para obrigar-me a emagrecer.

O meu ano já está acabando, com grandes progressos. É, até que foi divertido. Eu beijei tanto o quanto eu queria, em mais bocas do que deveria... Dormi demais, exatamente como eu adoro fazer. Minha vida sexual não costumo comentar em textos biográficos, contudo, a vida é boa. E como meta para o ano que vem, procurarei um tratamento para a melhora da memória e da minha falta de atenção em situações necessárias.

Não gosto muito de escrever conclusões, elas sempre têm o mesmo tom. Então só digo que eu continuo a mesma: mudando constantemente para tornar-me cada vez mais inconstante.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Fever



Charlotte era quieta e recatada, morava com sua família rica e aparentemente perfeita. A história dela era chata como a de tantos outros perdidos por ai. Sua distração eram as aulas de piano com uma professora gorda, calçada em saltos amedrontadores.

Numa tarde de outono, quando estava a caminho de sua aula musical, recebeu uma ligação com a notícia de que sua querida educadora tinha torcido o pé devido a um desequilíbrio. Ao invés de virar seus passinhos em direção à sua casa, preferiu andar até o shopping mais próximo de onde ela se encontrava. Sozinha e entre lojas... Começou a tocar a música “Fever” na voz de Madonna. Ela já tinha ouvido falar em alguns outros títulos como “Like a Virgin” e “Material Girl”, ou seja, assuntos polêmicos de mais para a sua cabecinha.

A música do shopping dizia algo como: “Você me dá febre quando me beija, febre quando me segura apertado. Febre pela manhã, febre por toda a noite.” Para Charlotte, ao pensar em febre, só lembrava das noites de gripe, com seu nariz vermelho e a mãe trazendo um Vick Pirena para algum alívio. Febre é ruim – pensou a mocinha de forma levemente descompassada.

Perto da praça de alimentação, havia um casal que se beijava animadamente. A garota, loira platinada, mal encostava seus pés no chão, e suas orelhas e maçãs do rosto estavam muito vermelhas. Enquanto isso, passava uma velhinha indignada com a cena e resmungando que a menina tinha a face pegando fogo, que parecia coisa do diabo.

Diabo, fogo, febre, vermelho... Tudo mais parecia pecado mesmo, mas a platinada na ponta de seus belos pés não parecia nem um pouco preocupada. Até por que tudo parecia muito simples e divertido. E lá vem a Madonna de novo afirmando para a jovem Charlotte que não existe escapatória:

“Todo mundo pega a febre
Isso é uma coisa que você deveria saber
Febre não é coisa nova
Febre começou há muito tempo”

Com o rosto ruborizado de vergonha, nossa personagem entende que esse tipo de febre vem de amor e/ou paixão, que não há muito controle, pois se espalha feito vírus. Talvez mais tarde ela entenda que se não se cuidar, e se deixar levar... O corpo pode não agüentar e acabar chamuscado de tanto que pegou fogo.

Se tudo isso é praticamente inevitável, pelo menos uma vez na vida, Charlotte agradece: Que modo amável de se queimar!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Espreitando


Ela é minha inimiga.
Ela é mais do que eu de alguma maneira.
Eu estou invejosa da que chamo de vadia.
Eu desejo vê-la num futuro insatisfeita.

Eu praguejo,
Eu blasfemo,
Eu simples e puramente
do fundo do meu peito a odeio.

E eu mal a conheço...

Ela tem sorriso falso,
lábios finos...
Sempre duvidei dos desbocados
Que parecem mentir desde o início.

Num corpo de belas formas
E roupas bregas a meu ver,
É tanta insinuação que ela transborda
Que eu até finjo ser blasé.

Desculpa o preconceito,
Mas acho horrível aquele cabelo crespo.
Acho que o problema é o mau cuidado
De volumosos cachos tão desbotados.

Sei que pareço uma recalcada...
E talvez seja infelizmente.
Mas não é feliz nem amada
Quem não desabafe ou tente.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Falso preenchimento


Um garoto vazio em emergência brinca e fala besteiras para afirmar como tudo parece bonito.

Quis tirar ele da mente e deixa-lo morrer, mas não é o meu desejo... Por que assim não me sinto sozinha, afinal há alguém em estado mais decadente do que eu.

Eu só sei o que eu não quero, e isso eu aprendi com os erros dele.

Quero mais valor nas poucas coisas que me constroem e poder dizer sentimentalismos sobre amor. Por que ele deve ser bom de alguma forma.

E essa dependência de alguém tão desprezível faz uma ânsia aumentar incrustada nos ossos do peito.

Sou tão fraca que acabo sempre dizendo “venha aqui garoto”, já pensando no meu futuro arrependimento.

Tudo faz parte de uma ilusão de um aconchego momentâneo, onde dois vazios acabam se preenchendo.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Confesso não poder confessar-te



Tudo anda me levando pro ponto de partida.
Tava dando tantas voltas que até tontiei.
E eu que sempre amei escrever, fiquei muda dessa vez.
Eu briguei aqui em casa... por motivos que só eu sei, só eu sei.

Todas as pessoas têm problemas e demoniozinhos internos.
Como não os mostrei a ninguém,
Cabe a minha pessoa enfrentar certas conseqüências.

Disseram-me: Não quero mais corroer por dentro com mentiras, esconde-esconde, dissimulação, fingimento ou seja lá o que for.
Tô de mentirosa na história, pois já menti antes.

Não culpo ninguém, nem a mim.
Sou vítima, se me permites falar;
não entendes, pois não explico-te.

Assim permanecerá, já que não consigo nada confessar.
Minha dor será só minha,
e se precisamos de uma separação
chorarei sozinha e tu chorarás sozinha.

Desculpe-me por ser tão fria
Não é nada pessoal.
Talvez um dia tu entendas
que minha cabeça é mais complexa do que deveria.

Admito covardia e egoísmo
pois meus distúrbios sufocam-me a ponto de esquecer-te.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Escolhida.


Com tantos defeitos. Entre os mais belos e ricos pareço diminuída.
Mas aindá há os admiradores contantes,
Sou Lisbôa.

De todos os tantos, nasci o mais traiçoeiro. Com um poderoso veneno que ataca por trás. Poderia ser duplo como Gêmeos, ou indeciso como Libra. Porém sou Escorpião.

Nas estações, comemoro anos na mais colorida e irritante de todas. Espirro contra o pólen e tanta simpatia da natureza chega a entediar. Queria tanto o outono, ou até o inverno... mas fui mesmo na primavera.

Sou mulherzinha e tenho que fazer xixi sentada. Como homem não me preocuparia tanto com o amor. Infelizmente sou XX.

Entre os elementos, dizem que sou água. Pena que não gosto de praia e não tomei gosto pela natação. Até parece que sou fogo, com um diabinho sempre me perseguindo. Melhor mesmo seria o ar para me libertar e voar longe.

Apesar dos candidatos Laura, Raquel e Melissa, escolheram Júlia, o meu preferido.
Não teve versões masculinas.
Mamãe sabia que seria uma menina.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A história de Sophia [2]


Muitos já viram ou ouviram falar sobre o filme “Aos 13”, onde adolescentes se perdem e depois tentam com muita dificuldade se achar entre um quarto bagunçado. Meu momento de perdição coincidiu com o abordado no filme, da mesma forma que perdi bastante tempo para uma luz no fim do túnel aparecer. Não me droguei nem virei promíscua. Eu virei um vazio contínuo que me matava e não queria ir embora. Eu perdi a única amiga que tinha, eu vi minha família se desfazer, eu tive problemas com notas do colégio e me meti em encrencas. Não me chamo de típica adolescente por que adolescentes são os seres mais instáveis e mutáveis que já vi, são algo de total atípico.

Uma das coisas que eu mais queria era deixar de usar óculos. Eles me incomodavam por demais. Com 13 anos eu já tinha deixado de lado as malditas cordinhas, afinal não gostaria de ser a gozação de jovens sedentos por atos maléficos. Eu me achava muito feia com aqueles aros estranhos que faziam o meu nariz coçar, eu sabia que nenhum guri queria me beijar por causa daqueles aros. Então eu comecei a ir sem eles para as festinhas do colégio, e eu nunca soube se algum guri me olhou com alguma segunda intenção, até por que eu não enxergava a um palmo à minha frente. Esse trauma foi grande, apesar de muitos acharem engraçado, e só aos 20 anos eu comecei a gostar de usar óculos. Não, eu não passei como uma cega durante todo esse tempo; aos 14 anos ganhei minhas primeiras lentes de contato e fui em várias festas de gala com toda a confiança que eu queria ter. Lembro que os caras achavam que eu era mais velha e não acreditavam quando eu dizia ser tão nova. Achava aquilo o máximo e nem percebia que eu poderia me aproveitar da situação, eu realmente era ingênua.

Desde a primeira série eu costumava gostar de alguém, às vezes um por dia ou por semana... Mas no ano das lentes de contato, eu me encantei pela primeira vez e recebi a primeira promessa de um telefonema no dia seguinte. Foi em uma festa de alguns amigos da minha mãe e eu era a única “novinha” presente. Claro que todos os homens olhavam muito para a minha pessoa, cabelos presos em um coque, um vestido verde água sem mangas e as pernas de fora. O papo da festa foi a surpresa de descobrirem a minha idade, chegava a me irritar essa importância de números, NÚMEROS. Então quando fui pegar um copo de refrigerante, acabei sendo grossa com um cara que me oferecia uma cerveja. Voltei à sala principal, sentei de cara amarrada e o tal cara sentou do lado perguntando se eu tava braba. Disse que não, que era só uma dor de cabeça passageira.

Ele tinha 21 anos, eu 14. O nome dele é Paulo e descobri que meu pai era chefe dele. O interessante é que foi uma tremenda coincidência e ele não conhecia quase ninguém da festa, muito menos a minha mãe, separada a muitos anos, que tava ali quase de penetra. Falando na minha mãe, ela ficou bêbada e eu tive que ir embora... deixando pra trás um número de telefone e um rosto na cabeça.
Viajei no dia seguinte sem receber o telefonema e passei quase um mês com um recorte da revista mensal da empresa onde meu pai trabalhava. Ali mostrava os estagiários novatos, entre eles, Paulo.

Pena que ele era muito mais velho e só tava brincando comigo. Resolvi fazer charme e esnobar. Eram lindas as caras que ele fazia quando eu caprichava na produção e fingia não enxerga-lo. Meses depois eu o vi em uma festa e dancei até quase desmaiar pensando que assim mostrava alguma satisfação. Ele não agüentou até o fim e me pegou pela cintura cochichando no ouvido por que eu tava fazendo aquilo com ele. Naquela noite aprendi a dançar em conjunto do corpo de um cara chamado Paulo, dei um tchau e virei as costas.

Não vi mais ele, deve ter sido demitido. Pra falar a verdade, vi-o sim... Esse ano, numa rua do centro.
Ele engordou muito.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

A história de Sophia [1]


Minha mãe resolveu me dar esse nome, Sophia, por que achava bonito a filha estar associada com inteligência, sabedoria. Infelizmente eu não tenho orgulhado o sentido do nome e nem lembrado das mazelas da minha mãe.

Tive um dia inútil devido a uma tremenda dor de cabeça, palpitante desde ontem à noite. E o mais irritante foi que eu queria não ser tão inútil hoje... Ressaltando que eu preciso admitir que meus últimos dias permaneceram entre a cama e a televisão tão vergonhosamente. É essa coisa de férias e de dizer que não se tem o que fazer.

Pra culpa tentar desinflar um pouco, quando a minha mãe pôs os pés dentro de casa, fui direto em direção dela e dei um abraço... Dizendo: “- Tava com saudade de ti.” - Não é pra parecer boazinha nem nada, até por que eu não costumo ser assim, foi um impulso de alguém que se sente mal por algo que nem sabe direito o que é.

Lendo de novo o que eu escrevi até aqui, fico dividida se me acho fútil, metida ou se me chamo de coitada. Só que sinceramente eu sou só complicada e as vezes começo a filosofar de mais coisas que não importam... E a “Sophia” que é bom nada... Sempre gostei de escrever e tentar ser criativa. Parecer ao menos! Desde a época da escola sou assim, tentando parecer. É que eu era do tipo nerd de óculos com aquelas malditas cordinhas que mães colocam pro filho não perder o dito cujo. Ninguém queria ser meu amigo de fato por que eu era muito entediante aparentemente. Foi ai que eu comecei a tentar parecer, foi onde tudo começou, inclusive tudo que fosse óbvio.

A maioria das crianças são simples. Elas brincam e imaginam coisas que não existem, tem as certezas mais absolutas do mundo por que elas mesmas as inventaram. Eu era tímida e imaginativa também, com o diferencial de ter sempre dúvidas complexas. Eu não era como as outras e isso não me ajudou na chegada da adolescência também.

Minha mãe me acha problemática hoje; eu acho que fui libertada e que antes eu era alguém com problemas. Ah, não falei ainda do meu pai. Ele é bem amoroso, mas protetor demais pro meu gosto, e discorda em quase tudo o que eu penso. Ele não sabe disso por que eu sei disfarçar bem, porém meu limite parece que pode estourar de repente sem aviso prévio.

Minha melhor amiga lê quase tudo o que eu escrevo, inclusive esse texto enquanto ele está sendo feito... E ela ta me mandando parar de mentir e dizer logo o que ta chicoteando meus nervos.
Observação: Eu não menti, só não direcionei o texto pro ponto que eu quero... Ainda.