quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Abrir fechar, bocas a mais.


Tão fugindo, todas as palavras
Tão qual é a rota precavida
É tua estrada.

De cor é
letra da música,
composta de ti.

Pior pra mim,
sem memória
Para repetir...
dos teus lábios sábios.

Minha última canção.

Uni,
as frases nossas.
Sem vergonha mais.

Não pergunto,
nem toma a resposta.
Pois nada restou além
De um toque de beijo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Elo perdido



Meu querido amigo a quem canto de dia
Sonho sábio da noite
Suspiro de entardecer.
Vejo teu rosto vazio de tanto tormento
E me puxo em dizer
Que nada é mais breve que o sono
Igual ao conforto
De não me ceder.

meu quarto


Quatro paredes e mais tetos do que deveria.
É presa, é um pouco sujeita a miséria de espírito
Que entrego todos os músculos por que
Tangos de música e tanto jazz não sustentam.

Mude-me,
Pois a mobília não foi suficiente.
Pegue-me,
Pois o chão não salvou nem o passo confiante.

Escrever não é o bastante,
A solidão me cabe mais quando deito
E abro
Cada verbete que escondi por trás da língua.

Água jorrada na fronha amassada
Atormenta minha cabeça.
Falei de nós, tão rouca em prol
De sanidade perdida.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cegueira




As cores do reino, viajam no esplêndido

Paraíso que vem me assombrar

Enquanto é a luz que braveja

na orla do pecador que sois eu.

Nada manifesta a lucidez

que um dia a mim pertenceu.

Foi-se embora vermelho

maçã dos lábios proibidos,

chegastes tu ao infinito negror

da caverna que criastes

num sonho de realista perdedor.

Cores vãs e tão imaginárias

Que nem um cego de nascença

Pareceria em desvantagem

Na competição de descobrir o mais belo

Tudo ou nada?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Maquiagem, traquinagem.



Era criança safada
chegando perto do espelho,
toda borrada
Era maquiada a algumas horas atrás.

Ela está tão alta.
As cores de suas agressões
misturam-se ao neon de suas festas.
O batom em sua boca, não é seu.

Alguém arrasta
o resto de roupa limpa pra pista,
As unhas cravam a cabeça suada
E coxas cruzam-se
em espremidos gemidos.

Todos os desaparecidos e desfalcados
da cidade reunidos,
Em meio a plásticos da bebida.
Mas não há nada pra se dizer
a corpos que só se movem.

Ninguém atrás de romance,
Todos rezando
pelo grande desempenho do seu papel
Descartável e cheio de merda.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

I miss you.




Nas lágrimas do mundo, onde os dedos varrem pequenas e grandes tristezas,
foi-se o tempo em que a pureza branda reinava plena,
foi-se embora a confiança que se tinha.
Ninguém mais ouve os choros da criança, aquela mestra sonhadora preenchida de coragem.
Ah deus, como eu sinto minha falta.

Restaram os gritos abafados, enrolados à cama vazia.
Foi-se a cantiga aconchegante daquela infância borrada de lembranças.
Papai está num canto mudo, enquanto mamãe está tentando partir.
Eu só sorria entre os berreiros transformados em carícias.
Ah deus, como eu sinto a minha falta.

Eu corri caindo, eu corri tanto
Naveguei por todos os céus, e as suas cores indecifráveis
A rajada de fogo ferindo o peito de gelo, lá estava o desamor deles
Lá eu estava... em meio a fome e o desejo de ser feliz.
Era lá que eles estavam: cemitério de vida e construção.
Ninguém mais ouve, o quanto eu sinto a falta de vocês.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Se ele não vem



Já são 5 horas da manhã e
hoje o dia não será de sol.
Tão deitada e sem dormir, a espera do homem
Ao lado da madeira mal pintada da janela
Frouxa toda, rangendo feito minha cama
durante o sexo.

Me fecho das saídas,
Só ouço o vento e a chuva.
Sussurraram a noite toda atrás de meu lóbulo
Lambendo carícias até meu tímpano.

Se meu homem não vem,
Se ele não me tem
Possuída já estou,
há sensação de apreciamento
De tanto vento e água
escorridos para entre as pernas.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Dúvida


Corpos calejados
Com suas mãos duras de pele grossa
Pés enraizados, pisando cacos
Pisando vidros.

Sou eu.
É o passado,
Me encolhendo em mísero temor.
Não confio há anos
Por que me falastes de amor?

Tanta enfermidade
Não curado o dissabor
Perdida a caridade de quem
Dá, apenas dá
Cansado da falta de reciprocidade.

De em diante, nem sei.
Precipícios de romance
São aconchegantes
Para nos atirarmos até morrer.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Espera


Eu e tu estamos quebrados e separados, vítimas de peças dos próprios corações.
Agora somos seres inseguros que se calam a todo custo, não olhamos nos olhos e praticamos a covardia.

Emudecida, levo tempo em demasia para formular uma única frase. Enquanto mocinhas choram a desabar por não serem amadas, eu choro por que queria amar mais.
Minto, amo demais, choro por não amar certo.

Te espero, através da eternidade por um reencontro fantasma.
Nem sabes como eu chorei e sofri ao relento, sentindo-me só e sendo protegida por tantos braços. Pois era no teu abraço que existia conforto.

Fostes meu amor no molde errado e desorientado, mas fostes grande. És.
Se pensas que é injustiça, injustiçados somos, amando tanto quanto, com toda a diferença do querer.

Não encaixamos, feito botas de couro em pés inchados.
Mas na esperança que guardo, ficamos indefinidamente em uma forma, nos moldando até um dia nos suportarmos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sorrio


Eu preciso de uma música, só agora.
Suave, prazerosa, como o arrepio na minha nuca.
Eu não quero saber de letras,
Só vozes, só melodia.
Eu não me importo com dizeres, com o que dizes
Eu enxergo todas as linhas, eu tenho a maior visão do mundo.
Eu sinto.
Eu não compreendo.
Argumentos? Pra que preciso deles?
Tão mais fácil só ser levada, me deixe ser levada.
Estou mais perto do paraíso do que nunca.
Eu.
Eu.
Eu sei.