segunda-feira, 10 de março de 2008

óleo nas pálpebras


Eu sei que eu não sou a mesma.

Nesse momento possuo um caderno em minha frente, onde passei tempos escrevendo coisas medíocres.
E olho para o relógio cor-de-rosa na escrivaninha, não enxergo seus ponteiros.. nem sei se ele já parou por falta de troca de pilhas.
E olho para os meus tantos perfumes que nunca uso... mas alguém gosta do meu cheiro mesmo assim.

Estou meio no escuro, meia luz.
O calor do verão ainda abomina, são dois ventiladores tentando acalmar-me.

E eu não olhei nada...
Eu apenas lembrei de você bloquiando minha visão como um óleo em minhas pálpebras, ou pó sujando meus óculos.
E dói.
Dói tanto eu pensar em você o tempo todo.
A cada barulho vindo da janela rangendo ou dos vizinhos intrusos de meus momentos eu devaneio.
Eu não constumo discutir assim comigo por causa de mais ninguém.

Mas...
O arranhão que tu fizeste nas minhas costas
o hematoma em minha coxa
a boca inchada de tanto usada
o arrepio que frizou cada pêlo do meu corpo
a saliva que umidificou meus poros
a mão que passeou através dos meus sensos
as mordidas e risadas
o teu jeito de dormir curvado
cada toque
cada mílimetro de qualquer coisa que se possa pensar.

Borrou qualquer conclusão que eu pudesse chegar sobre o que existe num mundo onde antes o tudo só era cinza.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

viagem


Eu não faço trocadilho, eu não tenho algum para expor aqui.

Eu vou viajar e tenho pressa, minha carona já está para chegar.
E eu aqui, ao invés de arrumar as malas fico tentando achar um joguete de palavras para tentar mostrar-me capaz e intelectual.

Passarei alguns dias na praia, acompanhada mas tão só.
Acordarei cedo, andarei na beira do mar.. exercícios são bons.
E o motivo do cedo?

Sol... ele realmente faz mal para mim. Alguns minutos abaixo dele e parece que estou a ponto de vomitar.
Sinceramente.

Quando retornar da areia e sal, sentarei na cozinha e ficarei falando de sexo com minha empregada. Não, minha amiga.
Ela lembrará de seu marido, um negão bem em forma que se enrabichou por uma branquela de olhos verdes como ela.
As vezes eu pareço mais velha do que ela. Na verdade acho que ela é mais velha que meu pai.

Esperando o carro e despedindo-se destes próximos dias que virão.
Deveras ir para praia, pegar um bronze e aproveitar o som do verão.
Há quem ainda acredite nessa hipótese.
Poderia estar aqui onde estou e apenas ser.
Mas estarei lá e acordarei ao amanhecer.

Como queria dormir mais um pouco.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

eu.




Moça, adolescente, nem percebeu ter alcançado a maioridade.
Típica representante da classe média 'média'. Sempre querendo ter mais do que tem.
Preguiçosa, espreguiça-se.. estrala os dedos, o pescoço, os pés.. e algo mais.

O pai dela odeia isso.
Falando nele, sujeito meio grosso... se faz de cabra manso na frente de visitas e cala a sua filha em momentos mais intimistas.
Ela aprendeu a deixar(ou fingir que deixa) os mandamentos do pai de lado.

Ela não tem tpm e acha que num dia estando grávida, não terá desejos idiotas. Aliás, ela sempre tem medo de estar grávida, mesmo sem ter como.
Guria muito branca, do tipo que aparecem veias no corpo, até em volta de seus seios. Não é, nem nunca foi pequena e magrela(apesar de sua mãe ter dado biotônico fontoura na infância).
Diz que gosta de como seu corpo é. Mentira.
Acha sua bunda muito grande e com celulite demais para colocar um biquini... Então convenceu-se de que odeia praia para não precisar passar pelo encomodo de mostrar a bunda grande.
Também acha seus seios pequenos demais, separados demais...
Pretende colocar silicone e operar o nariz um dia.
Apesar dos defeitos de que muito reclama, o conjunto a agrada. Ouve muitos elogios sobre sua boca carnuda, os olhos esverdeados e as feições delicadas que inspiram meiguice(quando não está fazendo caras de ironia).

Deixando de lado a aparência, ela é do tipo que costuma agradar e não costuma criar inimizades.
Com exceção de uma desavença com uma vizinha que ela considera uma tremenda vadia dissimulada.
Voltando ao pacifismo, nota-se sua abertura quanto a estilos diversificados.

Ela escuta muita música. Desde a hora que acorda, toma banho, janta, ve televisão, até a hora de dormir. Ah, não esquecendo os momentos calientes a dois.
Nos ouvidos tornam-se presentes músicas francesas de poucas cantoras, músicas calmas de fossa, dançantes para exercitar-se dentro do quarto... e algumas outras para acompanha-la quando ela não souber quem é ou não souber o que fazer.
Ela também gosta de cantar, porém nunca mostrou como é sua voz realmente. Nunca.
Nem a melhor amiga.. justamente, afinal, esta sempre ria e mostrava desaprovação de qualquer tentativa. Quando ela desenhava, a melhor amiga achava defeitos e zerava as qualidades, nunca incentivando para o crescimento pessoal. Perdeu a coragem de cantar com dedicação e mostrar-se.

Anda lutando contra preconceitos. Principalmente os que encontram-se dentro de seu coração.
Já fez vários avanços. Parece marketing pessoal dela, mas ela defende muito aqueles que amam os do mesmo sexo. Amam, sentem prazer, tesão, atração, felicidade, tristezas, raivas. Eles sentem. É o que ela diz.
E diz que poderia relacionar-se com alguém do mesmo sexo... mas ela realmente gosta do bom e velho homem que ninguém entende.
Seu melhor amigo, ex-namorado e também conselheiro já tentou explicar algo desse mundo masculino mas como ele é gay, ela fica sempre na dúvida se ele entende realmente esse mundo.

Ela já beijou, 2 negros, um japonês, algum ruivo, alguns primos, 1 cara mais novo, 1 cara com 16 anos a mais que na real era tatuador da mãe dela e ela não sabia, alguns vários que ela não lembra o nome, alguns morenos e apenas 1 loiro que ela nem lembrava.
Ela anda beijando alguém que a deixa feliz e tem vontade de beijar alguém que nunca beijou.

Como não tem problemas para falar de sexo, muitos pedem conselhos, muitos a acham despudorada. Muitos a julgam injustamente. Ninguém percebe a romântica levemente abobada que ali habita. Que nunca recebeu flores e só se apaixonou uma vez.
Em assuntos do coração realmente é tão forte que nunca chorou por um amor e nem sofreu.
Ela pensa demais em amor de forma quase idiota. E sorri pensando nele.
Cada mesquinharia, detalhe e futilidade são fogos de artifícios no seu céu escuro e abandonado pelas estrelas.

Uma lágrima, um beijo, uma voz.
Belezas imperfeitas que a enrolam e hipinotizam.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Macho cada


Ultimamente ando com a cabeça confusa, as novidades são muitas, sabe?
Confusão parece significar fusão de idéias para os outros, para mim apenas recesso de versos.
Passar uma tarde na internet nem parece ter graça. Não tem, eu digo.
É, não tem.

Meu amigo gay diz que estou precisando de um homem.
Quem sabe ele esteja certo.
É que geralmente eu disfarço que o sexo masculino não está em volta de mim.
Trato ele como minha melhor amiga, tricoto um pouco, fofoco, algum aconselhamento e depois coloco na caixa de costura de volta.

Homens.
Sempre minha distração... Meus irmãos, amigos... minha paixão.
Se fujo, é pra não ocorrer estresse, experimento de cada um uma amostra e enrolo para escolher mais adiante.

São tantos..
Desde o bonitão delicioso, galinha safado... com jeito de que sabe me pegar de jeito... Até o cara das palavras certas, que eu nunca decifrarei e fará-me pensar sobre algum futuro.

Não tenho fotos. Com nenhum deles.
Será triste ter esquecido o que se perdeu?
Este é o típico assunto que não rende, nunca deu certo e sei que não dará.
Não deveria ser assunto entende?
Deveria ser ato, ação.

Filosofando deste maneira, eu chego a conclusão de que meu amigo gay está certo.
O problema é não ter um homem ao meu lado pra calar a minha boca e ocupar meus dedos com coisas mais interessantes.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Início, meio e fim.


Eu era uma.
Só.
Solamente.
Escrevia para todos e para ninguém.
Enfeitava-me por bobagem, sem motivos.
Eu era eu.
Eu via tevê nas horas vagas.
Eu roía minhas unhas.
Eu falava sozinha.
Eu pensava sobre o meu futuro.
Eu amava a vida.

Nós somos duas.
Juntas.
Juntamente.
Escrevo apenas para uma, para ela.
Enfeito-me por todos os motivos do mundo, Ah as bobagens!
Somos nós.
Nós vemos os nossos beijos nas horas vagas.
Ela pinta as minhas unhas de vermelho.
Ela escuta-me.
Nós vivemos.
Nos amamos em pura vida.

Viraremos nada.
Separadas.
Insuportavelmente.
Não escreverei mais, secarei os versos.
Vou raspar a cabeça e largar o corretivo de olheira de mão.
Não seremos.
Verei a cama vazia 24 horas por dia.
Meu esmalte vermelho ainda descascaria.
Serei surda, muda e cega.
Direi que um dia vivi.
Pois o amor atirou a vida maldita na frente dos trilhos de um trem.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Nínfica.


Labaredas de sexo...

no televisor

nas ondas de rádio

estampado, tatuado

na barriga do meu amante retrô


Cabelos molhados

grudados

ao corpo suado

calor desfrutável

no mero retrato de um sedutor.


Já li algo assim

parecido e gasto

num gibi de calçada

Com figuras de homens e mulheres pelados.


Um pouco de minha lascívia

após ardidas leituras no pé da tarde.

Onde o sol se põe

e o resto só 'levanta'

depois de tantos movimentos

o que seca são nossas gargantas.


Assim é mais fácil...

quando as palavras são poucas.

Pois mesmo de forma numerosa,

não sufoca minha falta de resposta.



sábado, 5 de janeiro de 2008

Linda víbora







És tão branca e pálida,
Gélida e amarga,
faz-me sofrer desgostos.

Sempre soube desses defeitos,
mas o pão perfeito,
segurou os meus nervos.

Linda demais,
Fraca por trás,
arruinaste minhas noites com tormentos.

Venenosa,
Mulher geniosa,
está perdido teu lar.

Não serei mais piedosa

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Escolhi ser como ela


Um amigo da família disse-me semana passada que eu sou o meu pai por fora...
E minha mãe por dentro.
Os olhos verdes, a estatura, a brancura, as mãos e pés pequenos, os lábios grossos e também o nariz grande(que tanto incomoda-me) foram copiados de minha família paterna.
Porém, a capacidade de respeito as diferenças, a vontade de escrever, de desenhar e o prazer de ousar foram frutos vindos de minha amada mãe.

Talvez seja total imaturidade minha, nem bem comecei a socializar-me. Contudo, eu acredito nas pessoas. De certa forma.
Eu dou chaces, eu perdõo, eu até estendo a mão...
Eu valorizo até a última gota de sangue os meus amores! Não serão riquezas que farão o meu futuro vingar, apenas servirão de complemento para facilitar meus empreendimentos.
Meu pai diz que sou burra por perder meu tempo com os outros... "Afinal, eles não pensaram duas vezes em te deixar para trás" sempre retruca!

Como tem a cara de pau de mandar-me esquecer aqueles que amo??
De superar essas 'pessoas' e seguir com os meus deveres?
Seria como amputar meus membros superiores e inferiores, amarrar-me em uma cama e impedir-me de fazer a única coisa que faz-me sorrir: amar incondicionavelmente!

Não tenho arrependimentos por ter ajudado uma amiga, ter dado colo literalmente e ter comido um pote inteiro de sorvete com calda para afogar as mágoas alheias.
Dúzias de vezes tentaram separar-me de meu melhor amigo, sem procurar entender o que o meu coração me dizia! Realmente não sou igual aos outros... eu tenho tantas certezas e ninguém acredita que eu acredito nelas.

Sei quem amarei, com quem estarei, os que serão eternos... sempre com os seus sentimentos fraternos.
Não culpo meu pai por tamanha desconfiança e certeza de que as pessoas estão sempre tramando sorrateiramente. Ele já está ficando velho fisicamente, além de ter sido criado com um pensamento levemente velho!

Ainda pensa que gays não prestam, pois acha que a maioria tem aids, e vão acabar todos mortos sem explicação num apartamento do subúrbio.
E eu sou obrigada a ouvir isso com uma grande frequência.
Dói ouvir ofensas a quem eu tanto admiro! Ôô povo que luta e não perde a peruca! São os que mais alegram esse mundo cinza de hoje em dia.

Quem não os respeitam e não aceitam, é por que não conseguiu se encontrar! No momento que alguém se descobre e escolhe um caminho, percebe que tantos outros indivíduos serão contra ele e até o repudiarào.

Mas a covardia de se mostrar impede isso não é mesmo?


Podemos chamar esse texto de desabafo afinal.
Tantas as porcarias trancadas em minha garganta querendo escapar!
Quem sabe um dia ainda grito para o mundo.


Eu sou a evolução de minha mãe.
Que orgulho.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Versinhos para uma flor


Minha amiga
é como flor de maracujá.
E como flor, é bonita e delicada.
Branca, brancamente.
Cheirosa que só ela,
cheiro tão marcante
que chega a atordoar quem não sabe impor limites.
É assim que atrai e afasta
os desejados e indesejados respectivamente.

Mas teima em querer disfarçar seu cheiro.
pois banha-se de baunilha.
Sempre posuda
fazendo estilo de rainha...
Apenas tentando esconder o semblante serelepe de menina.
Minha alegria.

Inconstante,
dá belos frutos.
Cheios de sementes,
são intragáveis!!
Mas para quem tiver paciência,
recolhem-se os maduros
e assim se faz um suco
tão doce como o amor mais puro
Que todos os dias traduz
uma relação espontânea
de duas irmãs que escolheram-se
e não encontraram-se por simples relevância

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Açúcar em mar




A princípio saíram apenas palavras tolas.

Bobas e saltitantes, conversa de criança solta.

Experiência pouca, quase nula... unida à ingenuidade que colore qualquer mundo a volta.

Tenho por mim que era mentira a vontade de dizer que era feliz.

Não tinha culpa, era apenas ignorância e precocidade involuntária.

Aquela época de criança.



Foi tudo tão simples em algum dia.

Simples como querer comer doces até explodir e depois atirar-se na piscina.

Mas mamãe sempre sensata, deixava-nos sentados como de castigo por 2 horas olhando para a água gelada.



Alguns tantos de hoje em dia, de ontem e de sempre gostam de complicar.

No sentido de confundir e parecer superior em alguma coisa.

Falar bonito(ou apenas complicado) confunde o próximo e causa covardia.

Talvez essa vontade de não inibir alguém, faça-me ser o mais direta possível.



Evolução: Simples de fato, necessária e automática.

Nem que seje para um meio mais excluso e sujo.

Não opto por alguma evolução, mesmo sabendo de sua existência.

Os observadores é que escolhem se é cara ou coroa.



Não quero ser uma parnasiana da vida...

Que se preocupa com rima, forma e simetria.

Versos livres e em brancos, pitados de um pouco de compaixão e humildade.

Rendendo-se ao leitor, aqui estou eu e minhas cantigas

assumindo fraquezas

Banhando-se nuas em plena noite de lua cheia numa praia deserta.



Posso desmanchar-me feito açúcar em água salgada do mar

desaparecer para sempre sem vestígios.

Mas ah... Ao menos em algum segundo eu adociquei a vida de algum ser.