segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Início, meio e fim.


Eu era uma.
Só.
Solamente.
Escrevia para todos e para ninguém.
Enfeitava-me por bobagem, sem motivos.
Eu era eu.
Eu via tevê nas horas vagas.
Eu roía minhas unhas.
Eu falava sozinha.
Eu pensava sobre o meu futuro.
Eu amava a vida.

Nós somos duas.
Juntas.
Juntamente.
Escrevo apenas para uma, para ela.
Enfeito-me por todos os motivos do mundo, Ah as bobagens!
Somos nós.
Nós vemos os nossos beijos nas horas vagas.
Ela pinta as minhas unhas de vermelho.
Ela escuta-me.
Nós vivemos.
Nos amamos em pura vida.

Viraremos nada.
Separadas.
Insuportavelmente.
Não escreverei mais, secarei os versos.
Vou raspar a cabeça e largar o corretivo de olheira de mão.
Não seremos.
Verei a cama vazia 24 horas por dia.
Meu esmalte vermelho ainda descascaria.
Serei surda, muda e cega.
Direi que um dia vivi.
Pois o amor atirou a vida maldita na frente dos trilhos de um trem.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Nínfica.


Labaredas de sexo...

no televisor

nas ondas de rádio

estampado, tatuado

na barriga do meu amante retrô


Cabelos molhados

grudados

ao corpo suado

calor desfrutável

no mero retrato de um sedutor.


Já li algo assim

parecido e gasto

num gibi de calçada

Com figuras de homens e mulheres pelados.


Um pouco de minha lascívia

após ardidas leituras no pé da tarde.

Onde o sol se põe

e o resto só 'levanta'

depois de tantos movimentos

o que seca são nossas gargantas.


Assim é mais fácil...

quando as palavras são poucas.

Pois mesmo de forma numerosa,

não sufoca minha falta de resposta.



sábado, 5 de janeiro de 2008

Linda víbora







És tão branca e pálida,
Gélida e amarga,
faz-me sofrer desgostos.

Sempre soube desses defeitos,
mas o pão perfeito,
segurou os meus nervos.

Linda demais,
Fraca por trás,
arruinaste minhas noites com tormentos.

Venenosa,
Mulher geniosa,
está perdido teu lar.

Não serei mais piedosa

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Escolhi ser como ela


Um amigo da família disse-me semana passada que eu sou o meu pai por fora...
E minha mãe por dentro.
Os olhos verdes, a estatura, a brancura, as mãos e pés pequenos, os lábios grossos e também o nariz grande(que tanto incomoda-me) foram copiados de minha família paterna.
Porém, a capacidade de respeito as diferenças, a vontade de escrever, de desenhar e o prazer de ousar foram frutos vindos de minha amada mãe.

Talvez seja total imaturidade minha, nem bem comecei a socializar-me. Contudo, eu acredito nas pessoas. De certa forma.
Eu dou chaces, eu perdõo, eu até estendo a mão...
Eu valorizo até a última gota de sangue os meus amores! Não serão riquezas que farão o meu futuro vingar, apenas servirão de complemento para facilitar meus empreendimentos.
Meu pai diz que sou burra por perder meu tempo com os outros... "Afinal, eles não pensaram duas vezes em te deixar para trás" sempre retruca!

Como tem a cara de pau de mandar-me esquecer aqueles que amo??
De superar essas 'pessoas' e seguir com os meus deveres?
Seria como amputar meus membros superiores e inferiores, amarrar-me em uma cama e impedir-me de fazer a única coisa que faz-me sorrir: amar incondicionavelmente!

Não tenho arrependimentos por ter ajudado uma amiga, ter dado colo literalmente e ter comido um pote inteiro de sorvete com calda para afogar as mágoas alheias.
Dúzias de vezes tentaram separar-me de meu melhor amigo, sem procurar entender o que o meu coração me dizia! Realmente não sou igual aos outros... eu tenho tantas certezas e ninguém acredita que eu acredito nelas.

Sei quem amarei, com quem estarei, os que serão eternos... sempre com os seus sentimentos fraternos.
Não culpo meu pai por tamanha desconfiança e certeza de que as pessoas estão sempre tramando sorrateiramente. Ele já está ficando velho fisicamente, além de ter sido criado com um pensamento levemente velho!

Ainda pensa que gays não prestam, pois acha que a maioria tem aids, e vão acabar todos mortos sem explicação num apartamento do subúrbio.
E eu sou obrigada a ouvir isso com uma grande frequência.
Dói ouvir ofensas a quem eu tanto admiro! Ôô povo que luta e não perde a peruca! São os que mais alegram esse mundo cinza de hoje em dia.

Quem não os respeitam e não aceitam, é por que não conseguiu se encontrar! No momento que alguém se descobre e escolhe um caminho, percebe que tantos outros indivíduos serão contra ele e até o repudiarào.

Mas a covardia de se mostrar impede isso não é mesmo?


Podemos chamar esse texto de desabafo afinal.
Tantas as porcarias trancadas em minha garganta querendo escapar!
Quem sabe um dia ainda grito para o mundo.


Eu sou a evolução de minha mãe.
Que orgulho.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Versinhos para uma flor


Minha amiga
é como flor de maracujá.
E como flor, é bonita e delicada.
Branca, brancamente.
Cheirosa que só ela,
cheiro tão marcante
que chega a atordoar quem não sabe impor limites.
É assim que atrai e afasta
os desejados e indesejados respectivamente.

Mas teima em querer disfarçar seu cheiro.
pois banha-se de baunilha.
Sempre posuda
fazendo estilo de rainha...
Apenas tentando esconder o semblante serelepe de menina.
Minha alegria.

Inconstante,
dá belos frutos.
Cheios de sementes,
são intragáveis!!
Mas para quem tiver paciência,
recolhem-se os maduros
e assim se faz um suco
tão doce como o amor mais puro
Que todos os dias traduz
uma relação espontânea
de duas irmãs que escolheram-se
e não encontraram-se por simples relevância

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Açúcar em mar




A princípio saíram apenas palavras tolas.

Bobas e saltitantes, conversa de criança solta.

Experiência pouca, quase nula... unida à ingenuidade que colore qualquer mundo a volta.

Tenho por mim que era mentira a vontade de dizer que era feliz.

Não tinha culpa, era apenas ignorância e precocidade involuntária.

Aquela época de criança.



Foi tudo tão simples em algum dia.

Simples como querer comer doces até explodir e depois atirar-se na piscina.

Mas mamãe sempre sensata, deixava-nos sentados como de castigo por 2 horas olhando para a água gelada.



Alguns tantos de hoje em dia, de ontem e de sempre gostam de complicar.

No sentido de confundir e parecer superior em alguma coisa.

Falar bonito(ou apenas complicado) confunde o próximo e causa covardia.

Talvez essa vontade de não inibir alguém, faça-me ser o mais direta possível.



Evolução: Simples de fato, necessária e automática.

Nem que seje para um meio mais excluso e sujo.

Não opto por alguma evolução, mesmo sabendo de sua existência.

Os observadores é que escolhem se é cara ou coroa.



Não quero ser uma parnasiana da vida...

Que se preocupa com rima, forma e simetria.

Versos livres e em brancos, pitados de um pouco de compaixão e humildade.

Rendendo-se ao leitor, aqui estou eu e minhas cantigas

assumindo fraquezas

Banhando-se nuas em plena noite de lua cheia numa praia deserta.



Posso desmanchar-me feito açúcar em água salgada do mar

desaparecer para sempre sem vestígios.

Mas ah... Ao menos em algum segundo eu adociquei a vida de algum ser.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Eu, o velho e a chuva


Passou-se o natal.

Uns amando, outros odiando.

O lado pessimista da festividade, serve de pele apenas para os que não encontraram as pessoas certas para festejar e no final da noite ficarem bêbadas por terem passado um pouco da dose simples de champanhe.
Nem pretendia escrever sobre a ceia familiar... isso é apenas um breve comentário, visto a falação do natal 2007: o mais sangrento desta última década!

Como em todos os anos de minha curta vida, passei longas horas na estrada escaldante rio-grandensce para chegar na cidade do interior onde parte da familia ainda mora.
O local de desembarque familiar foi a antiguíssima casa do sogro de meu pai, um senhor muito surdo, magro e teimoso ao limite de estourar a paciência alheia.

É véspera de vestibular... ao menos para mim. Estou tentando decorar a história do mundo e do brasil.. já que esqueci deste passado formidoso e cansativo ao longo desse ano.
Tentei tomar juízo e estudar o feriado inteiro.
Sei que minhas amigas ficaram a metros de distância de qualquer livro; pelo menos a minha cabeça ficou sem pesos rochosos sobre ela para serem carregados futuramente.

Mas ah, que sono naquela tarde de calor infernal. Após o almoço, sempre cai sobre mim a maldição da cesta. Um belo ronco após a barriga crescer de tanto comer. O pior de tudo era meu pai que não permitiria preguiças a esse ponto das festividades faltando pouco mais de 15 dias para as provas decisivas. Claro que o sentimento de culpa foi muito grande e firmei os olhos sobre a página.
O problema era a quase falta de ar, ou o abrangente ar morno e carregado que de tão gordo não passava por entre as narinas ou garganta seca.

Era calor, era sono. Não conseguia concentrar-me.
Foi afrontando-me que meu pensamento esvaiu-se de mim e fugiu para nem sei onde.
Minutos passavam e eu nem dava-me conta, e após horas de memória terem se passado, percebo que apenas 16 minutos diferenciava o passado do presente.

Distraída, acabei pensando em algo. Não propositalmente, foi despretenciosamente.
"E se faltasse luz?"
Ah.. mas ainda sim teria a luz do sol que iluminava fortemente a sala em que eu encontrava-me.
Eu olhei através da grande janela a minha direita e fixei o olhar em uma das quatro parreiras que se encontrava no jardim, formando um teto de folhas e uvas.
"E se chovesse? A ponto de ficar uma escuridão negra sobre esta casa e eu não enxergar absolutamente nada... afinal, eu já sou levemente míope. "

Fiquei imaginando a cena da tempestade e da falta de luz. Eu poderia dormir sossegadamente e sem culpa, afinal o que eu poderia fazer?
O velho passava por mim várias e várias vezes. Sempre observando-me com uma cara de desconfiado, como se eu estivesse tramando alguma coisa...

Que tédio.

Então em questão de segundos, após a primeira brisa refrescante de horas a fio... Uma chuva absurdamente forte varria qualquer vestígio de sujeira da cidade inteira.
Meus olhos encontravam-se arregalados e surpresos.
"Teria eu tanta intuição?"
Então trovões e relâmpagos começaram a acordar-me cada vez mais. Agora já não eram pingos que caiam, e sim pedras e mais pedras.

Bum!
Acabou a luz .
Neste ponto a minha boca já estava entreaberta e muito abismada.
Conformada com a estranha coencidência, resolvi deitar no sofá ao lado da cadeira em que me encontrava.
"Aaaah que sono, que coisa bom deitar e dormir.."

Quase num susto, abro os olhos e vejo o velho parado, olhando-me.
Ele na sua magreza e costas muito curvadas, mas ainda demonstrando seu porte de homem alto e saudável na juventude, ficou parado a pouco mais de 1 metro de minha pessoa.
O olhar em seu rosto era de indignação e certeza.
Desviou-se para a janela e olhou as parreiras, as pedras provavelmente judiariam de suas folhas.
Saiu vagarosamente em direção da cozinha...

Ele tinha mais certeza de minha culpa do que eu de minha coencidência.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Estranheza


Vivi.


E explicar isso parece-me tão dificil.
Não poetizar.. e só falar, digitar. Que seja.
Resolvi usar e abusar da tática de desabafo.
Mesmo sem sofrer ou penar por algo que necessite ser regurgitado para a minha boca.
Eu ando vendo tudo tão bem, cada fragmento e detalhe roído.. corroído pela minha visão pobre de mundo.

É conformidade totalmente inconformada. Saber da existência e seu motivo para depois lutar contra ele.
Não corro, nem exercito-me.
Eu vôo.
Plano na cabeça dos inseguros e comuns. Sentindo.
Não sei explicar sentimento, nem preciso falar dele. Eu sinto.
Faço-me toda assim: inocente. Não provei de raiva, ódio. Muito menos ausência, os torturados disseram-me para ficar longe dela.

Guardei toda a minha sensualidade em bolinhas de cristal dentro de meus seios, minha entidade mais preciosa... ansiosa esperando a libertação para um corpo desconhecido agrupar-se em sua companhia.
Amei.
Todos.
Em alguma forma de amor, cada ser colaborou em vida.
Mas amei aquele tão 'especial' que tranca vias respiratórias e bombeia freneticamente o sangue para o oculto.
Dexei de entender o que entendo e nem sei mais de amar.
Já que nem sei nada de mais.
Escrevo perguntando a respeito de minhas respostas mal dadas anteriormente.
Fui tão incoerente?
.
.
.
Vivi e por isso toda essa confusão de estranhezas.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Arrepio


E num tempo quase vazio
em um espaço quase cheio.
Vagar.
Papéis ao redor,
tanta bagunça a examinar-me.

O tempo mudou de salto.
Efêmero.
Eu fiquei parado aqui,
eu continuei.

Era escaldante lá fora.
Minha distração não notou
a vasta água nova a cair
e a pele a tornar-se crespa.

Peguei o frio,
o cheiro de terra
e o som "tuc tuc tuc" repetitivo.

Pingos raiando.
Olhos fechados.
Mandíbula cerrada.
O que resta é o que eleva-me

Só leva.

sábado, 24 de novembro de 2007

fervente


É no banho que mais sinto falta.
Água forte, grande pressão,
minha pele lisa naquele azulejo
distração... e quase vou-me ao chão
cadê a tua grande mão cálida?

Escorre de mim todo o furor,
comporto-me molemente.
Chego a lembrar do toque
por baixo desta água quente
minha pele tão branca
já está a mudar de tom

Torno-me avermelhada,
mas já nem sei o motivo.
Rubor pelo embaraçamento de lembranças?
Ou a temperatura deste box no qual me iriso...

Ah quanta besteira!
Tanta falação por uma carência.
Músculos relaxados,
vou abrir a torneira ao lado.
Solto um gemido aflito
e agora é outro sentido que sinto

É água correndo ralo abaixo
são vontades indo
e no lugar só o meu frio.