sexta-feira, 2 de maio de 2008

elas não entendem-se


Estou raivosa e tremiliquenta.
Quero encerrar o papo,
mas eu falo, eu ajo
e comando o ato.
Eu reclamo a tua ostenta.

Eu fico e fiquei
nervosa e raivosa por demais.
Dei uma de satanás
e de resposta como fuga, eu me icendiei.

Aos berros e choro escorrido
gesticulei por trás do espelho rompido,
maquinei frases
manipulei o inexistente finito.

Sempre espera-se a vida tradicional...
afinal, gostam de redomas.
Mas eu durmo da forma errada,
eu sou passional.

Ainda finjo que acredito
no meu eu sozinho depois.
Uma liberdade que ela sobriamente me impôs
com o gosto de todos, o mais insípido.

Eu dissimulo
não é?
e ela têm medo da fé
e de mim no mundo.

Eu fujo,
eu sumo.
Arrumo os trapos
e com o pé na rua
faço tudo.
Não volto.
Até viro puta.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

My fair lady


Estressantemente eu tenho mais de um homem em minha vida.
Não que seja de todo mal afinal essa história de monogamia enjoou-me desde a década passada.
Além do mais, tenho que aproveitar o que resta do meu corpo jovem... sugar ao máximo.
Se hoje tenho 3, 4 ou até mais em cima de mim... Em dez anos talvez eu que esteja em cima de apenas algum.. ou até de meio algum.

Bom, digamos apenas que eu gosto de muitas coisas, contudo nenhum homem conseguiu saciar todos meus requisitos. Nada mais óbvio do que procurar o número que for de homens para cumprir esse dever.

Talvez alguém se pergunte se eu não fico ociosa de alguém decobrir meus segredinhos... o mais curioso, é que geralmente eles sabem.
Uma vez levei um soco na cara que me deixou 2 meses fora de circulação por causa do olho roxo.
O meu homem n° 3 logo ficou sabendo da história e tratou de se vingar.
Não sei exatamente o que ocorreu a aquele estúpido imbecil, apenas não o vi mais, nunca mais em algum dos bairros que frequento.

Não que eu seja uma deusa, falando fisicamente... eu dou pro gasto sabe?
Cabelos negros até quase a cintura, pele alva, lábios rubros e uma pequena pintinha acima deles do lado esquerdo. O que eu canso de dizer às minhas amigas é que o segredo não é o que tu fazes, e sim como o fazes.

Experiência sempre ajuda, algumas dicas também... mas o jogo de cintura e o remelexo, ah, isso tem aquelas que podem até tentar aprender. Eu digo que tem que assim já nascer.
Não se segura homem pela barriga... até mesmo se a minha for perfeita.
Para segurar um homem, realmente é preciso saber segurar no lugar certo e da maneira mais libidinosa.

Eu afirmo, eles não se importarão de tu te encontrares com outros.. desde que tu faça o melhor serviço que eles já receberam.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Rodopiar?


Gemo para um garoto desconhecido
e minha boca dura de censura
boceja de tanto esperar.

Quem diria que o azar estaria no meu cangote
justo na noite onde tudo pode,
Afinal...
Quem mandou pegar o primeiro que viu
pra fazer um "saravá"!

Só falta eu ter de pagar
por um quartinho chinelo
do motel mais perto
e ele nem me fazer gozar.

E olha que ele me pareceu bem apessoado.
Bom ator ele é, isso é fato.
Eu que fui e sou burra
e sempre no fim da noite preciso de alguma ajuda.

Garoto igrato
mal arregaça minhas pernas
e já terminou o que achei ser um ensaio.
Veste as calças, mal olha pra trás e deixa a porta aberta

A única dúvida é se dou uma trégua,
ou não desanimo e volto pro bar.
Se for, dançarei como uma louca
e ainda arranjo um macho que me faça gritar.

domingo, 20 de abril de 2008

Santa imaculada


Ela é o tipo de mulher que dorme sempre nua,
enrola-se num lençol
apenas suas costas e coxas a mostra tão puras.
Essa pele pálida, reflexo de pouco sol.

Num calor insuportável...
suor dando brilho lustroso nos braços
reborquiando de um jeito palpável.
Só observo, querendo dar-lhe um enlaço.

Só uma mulher pode ser tão calculada!
Tamanha beleza.
Eu sigo tua tez esplêndida, cálida
perco-me em ti sem nenhuma certeza

Mas como é que ela costuma fazer mesmo?
Ah, cada movimento e passo...
Ama-la é o único jeito
de tirar-me desta forca em que me entravo.

Cada centímetro imaculado
Causa-me tantos estragos...


terça-feira, 15 de abril de 2008

escoa ar


Enquanto eu colocar o livro na estante
e divagar por um instante
Nada passará por nuvens brancas
Só um retrato da velha infância

Eu acordei, eu inventei
um improviso novo.
Só um esboço de um outro rosto
refrestelando na minha má vontade.

E volta e sai,
me bate um pouco mais.
Dispenca a senha
entorna o cais
e vai correndo, Chorando sais

domingo, 13 de abril de 2008

Formato


Violão na mão dele
indelicadamente.

Como se segurasse o corpo da ex amante.
Ele acaricia e amacia,
torna afinado e depois desafina
inacabado como antes.

Tocando as cordas
puxando e soltando.
A boca ao microfone bufando
enquanto ele transpira.

A precisão nas mãos
tremelicando dedos nas curvas amadeiradas.
Olhos chapados,
baixos
como estavam depois de seu último orgasmo

Solta um grito abafado
que mais parece um gemido fingido.
Roça o objeto por todos os lados
depois esquece a noite que teve comigo.

Afinal, meu corpo nunca foi violão,
tava mais pra pêra.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Assentados


De uma forma totalmente displicente desço a ladeira de minha rua quase correndo. Esquecendo a saia curta e o vento que nesse momento transforma-se em leves rajadas.
Atravessando ruas e olhares de taxistas, chego a minha parada de ônibus.
Por um motivo óbvio, todos olham para mim.
Por que não nasci com pernas finas?
Ao mesmo tempo que balanço uma delas, puxo a saia para baixo tentando chamar menos atenção, o que piora a situação.

Após uma eternidade(para quem está atrasado) de espera, subo no ônibus e atrapalho-me toda no momento de passar na roleta. Quando eu consigo passar, o motorista dobra em uma curva fechada... jogando-me de um lado ao outro do transporte público.
Finalmente sento, numa daquelas cadeiras que ficam de costas para o motorista bem perto da porta de saída.

Tem um gordinho do meu lado lendo um livro imenso bem concentrado... já eu com dor de cabeça prefiro ficar futricando na imagem dos presentes da cena.
Certamente sou má interpretada por que estou sempre observando feições e peculiaridades.
Mas o que me chamou atenção foi uma gordinha ruiva que parou do meu lado logo a frente, bem na saída.
Ela e outro cara magrelo começam a ter aquelas discussões políticas que todos fazem a todo momento. Aquela tonalidade de exasperação e revolta explodindo no peito bufante.
A reclamação da ruiva é feita de forma mais exagerada, pois me parece que o problema atinge o seu salário... claro, o que é nosso sempre é mais importante do que é público.

De repente o gordinho ao meu lado larga a sua leitura e começa a prestar atenção na tal ruiva falante. Fixa o olhar de uma forma até brusca, sem vergonha alguma. Tá, talvez ele ache ela inteligente ou ache que ela está falando perfeitas idiotices e acabará se metendo na conversa.
Agora até eu presto atenção pra entender o final da história.

Ela subitamente para de falar, talvez tenha percebido que havia curiosos observando-na.
Eu baixo o olhar e disfarço.
E logo percebo que o gordinho não baixou o dele nem disfarçou.
Acho que eu estava enganada. Deixarei eles se olharem o tempo que for necessário.

O ônibus ficou mais apertado e chato. Então comecei a imitar o gordinho e olhar alguém. Fixamente.
Quem sabe o olhar de um ruivo retorne.

domingo, 16 de março de 2008

Aquele cara


Tem um certo cara, que escreve bem pra xuxu.
Deixa-me constrangida, de tão boa a sua escrita
Li algum texto dele, quando ia para bom jesus.

Por vez grosso que dói,
e depois romântico que só ele
jogou na minha cara ácido que corrói
depois tratou a pele com creme fresco de leite

Vi ele tempos atrás, catando jabuticaba
entre os pés de bergamoteira.
Depois sentado na calçada olhando em baixo das barras de saia
levando chingão de alguma gorda freira.

Sempre nos barzinhos
ajeitando o óculos na cara, a cada gargalhada sarcástica.
"Ei meu chapa, me passa mais uma gelada!"
Ele resolve ir embora, antes que aperte o chuvisco.

Tipo meio estranho,
as vezes quieto
observando as bundas das madames rebolando
cachimbo na mão, camisa no peito aberto.

Frequentador de banco de praça
assiduamente ali nas redondezas da minha casa.
Caneta cravada num bloco de papel...
quando cansava, deitava no banco e olhava pro céu

Ele nem é tão atraente
os dentes são meio tortos.
Certo dia perguntou-me as horas de repente
e eu arregalada: 'são 10 e dezoito'

É incrivel como tudo acaba em sexo.
Não foi nessa noite nem nessa semana
eu, ele, nós nos perseguimos de perto
e agora ele não consegue mais sair da minha cama.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Cartelas de adesivos e playstations




Dias atrás sonhei com um ex namorado da minha mãe.

Um sujeito chamado Leandro, realmente bonito apesar do cabelo levemente brega.
No pricípio minha mãe e ele trabalhavam juntos; ele adolescente de 18 anos contando de seus namoricos da época, minha mãe com 33 anos contando de seu casamento problemático.
Eu nasci e 3 anos depois o casamento estava acabado.
E eis a surpresa! O jovem rapaz juntou-se a familia para servir como um padrasto fora dos padrões.

Não tenho muitas lembranças desse tempo, apenas poucas e boas.
Ele era como um pai que se comportava como um irmão e brincava de cabana bagunçando a casa toda.
De todos os tantos presentes que ele me deu, o que mais fixou-se em minha memória, é uma cartela com adesivos de fadas. Não eram desenhos da disney tradicionais, mas desenhos quase caseiros e bem coloridos.
Foi um dos presentes mais lindos que já recebi.
E o natal mais mágico e inesquecível, foi aquele em que Leandro vestiu-se de Papai Noel e me fez cócegas na barriga. Lembro que ganhei alguma barbie com um vestido rosa rodado, uma princesa.
Recordo de uma tarde em que fui para o quarto de minha mãe e ele estava dormindo, ocupando quase toda a cama, tapado com um cobertor amarelo e marrom. Eu deitei do lado dele e pensei: "Nossa, ele é grande!"

Em agosto de 97, ele saiu do nosso apartamento, foi embora.
Disseram-me algo sobre viajar, passar um tempo longe.
No meu aniversário de 8 anos, outubro daquele ano, Lelé(como eu costumava chama-lo) trouxe-me um video-game playstation de presente. Eu tenho ele guardado no meu armário até hoje.
Eu acho que foi assim que terminou a 'nossa história', não sei o que ocorreu depois, apaguei as lembranças.

Uma mulher e um homem que se amam, recebem dedos apontados e coxixos por tras das portas e janelas. Será que 15 anos separando 2 vidas, podem acabar com o laço definitivamente entre elas?
Aos 24 anos e meio, ele saiu de nossas vidas e eu nunca mais o vi. Nunca mais.
Minha mãe adoeceu e chorou por 1 ano. E eu sei que ela faria tudo de novo. Por que uma paixão verdadeira nos faz saber que em algum momento da vida, nós fomos realmente felizes.

Alguns anos atrás ele procurou minha mãe... Que não o atendeu.
Ficamos sabendo que ele acabou casando-se e tendo 2 filhos, a mais velha, com em torno de 7 anos e o sexo e idade do filho mais novo não sabemos.
Eu imagino ele como um bom pai, ele era tão preocupado comigo(disse a minha mãe), querendo um bom futuro e uma pessoa firme brotando de mim.

Ontem a noite, 11 anos após a separação de nossas vidas, ele apita o porteiro de nosso edifício tarde na noite. minha mãe pergunta o que ele quer.
"Conversar."
Minhas mãe responde: "Eu acho melhor não."
Ele vira de costas, desliga o alarme do carro e vai embora dirigindo.

Hoje minha mãe me conta sobre o ocorrido.
Eu sento na frente dela sem acreditar que eu perdi a oportunidade de ver o rosto dele uma última vez.
Eu então choro. Envergonhadamente.
E penso... Será que ele lembra de mim ou pensa como eu estou hoje?
Como uma lembrança tão antiga pode desestruturar a minha cabeça tão frustantemente?


"Mãe, tu lembra que eu te disse que sonhei com o Lelé? Ele não saiu da minha cabeça nesses últimos dias! Ele não saia!! Por que as minhas intuições e pressentimentos nunca me ajudam?
Mãe, por que tu não falou com ele??? Eu sinto que tu precisava fazer isso."

"Eu preferi que ele lembrasse de mim como eu era a 10 anos atrás. A mulher que ele amou, vaidosa e bonita. Foi vergonha de ter envelhecido e não ter tido forças contra isso."



"Mãe, eu sinto orgulho de ti."







segunda-feira, 10 de março de 2008

óleo nas pálpebras


Eu sei que eu não sou a mesma.

Nesse momento possuo um caderno em minha frente, onde passei tempos escrevendo coisas medíocres.
E olho para o relógio cor-de-rosa na escrivaninha, não enxergo seus ponteiros.. nem sei se ele já parou por falta de troca de pilhas.
E olho para os meus tantos perfumes que nunca uso... mas alguém gosta do meu cheiro mesmo assim.

Estou meio no escuro, meia luz.
O calor do verão ainda abomina, são dois ventiladores tentando acalmar-me.

E eu não olhei nada...
Eu apenas lembrei de você bloquiando minha visão como um óleo em minhas pálpebras, ou pó sujando meus óculos.
E dói.
Dói tanto eu pensar em você o tempo todo.
A cada barulho vindo da janela rangendo ou dos vizinhos intrusos de meus momentos eu devaneio.
Eu não constumo discutir assim comigo por causa de mais ninguém.

Mas...
O arranhão que tu fizeste nas minhas costas
o hematoma em minha coxa
a boca inchada de tanto usada
o arrepio que frizou cada pêlo do meu corpo
a saliva que umidificou meus poros
a mão que passeou através dos meus sensos
as mordidas e risadas
o teu jeito de dormir curvado
cada toque
cada mílimetro de qualquer coisa que se possa pensar.

Borrou qualquer conclusão que eu pudesse chegar sobre o que existe num mundo onde antes o tudo só era cinza.