segunda-feira, 16 de julho de 2007

Não na sombra


Ao lembrar do caminho de retorno à casa -meu lar- comecei a querer poetizar! Chego em casa, corro, pego o lápis e passo a tarde toda tentando escrever.. o máximo de meu fracasso neste dia foi palavras soltas...

Estou neste meu porto alegre onde tudo é tão seguro.
Onde as luzes naturais estão todas tão acesas a minha espera.
Mas é preciso sair do aconchego abafado para então alcançar ruelas acalmantes.
Lugares onde posso repousar meus sorriso encabulado embaixo deste raio de sol.
Posso gastar um pouco do meu tempo em mim e ninguém poderá incomodar-me...
Estou desligada do resto desta percepção de espaço.
Pode ser os fones de ouvido impedindo de ouvir as buzinas a ecoar dos carros.
Tudo ocorre em alguma tarde de outubro ensolarada.
Minha alvidez reflete quase totalmente a claridade.
Como se a luz estivesse negando suas carícias em meu corpo.
É um algo de pele a mais.
São os meus poros querendo entender os sentidos para derreterem com o calor!
Não são surpresas... é a minha rotina de todos os dias repetidamente redundante!
Ao menos sei que existe conforto vindo dos céus...
mesmo não acreditando que lá existe o paraíso!
Só o silêncio.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Os esses


E os esses dentro da cabeça...
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Soltos e Sentimentais.
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Sorri sorriso sensível.
Senti saudade saudável sem saber seu sentido.
Surpresa sádica soberana sobre sofrimento.
Sinceramente serei somente seu suor salgado.
Saliência sublime seriamente sobrecarregada sobre si.
Sim... Sim...
Silenciei seu silêncio.
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E os esses... Seguem sentindo sua seriedade.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Mãe

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(Amor meu grande amor! Mãe é coisa para se guardar no fundo do peito!)
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Ela é aquela mulher inconsequentemente imperfeita
que deu pulos e girou...
Sim, ela fez tantas besteiras.
Ela olhou para a vida e se sentiu insatisfeita,
querendo na juventude uma grande colheita.
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Ela dormiu e depois descobriu que havia passado tempo
e viu seus olhos se enxerem de medo.
Não havia absurdos para se colher
e ela teve que escolher
entre o que ela nao sabia e o que ela não queria.
Foi quando um dia sentiu chutes por dentro...
Ela não pode mais esconder esse segredo,
era nova vida vindo em seguida
para dar boas vindas!
e quem diria..
Ela realizou um grande desejo: "É uma menina!!"
.
Quando um pedaço de nós
chega ao mundo e se despede sem dó
sentimos a maior dor do mundo
e o maior amor, o mais profundo.
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Essa mulher
que teme em ser covarde
e transforma sua mente e coração em seu maior contraste
é o ultimo ser do planeta que um dia será entendido (e quem sabe?),
é com ela que divido meus maiores conflitos.
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Até hoje sou carregada,
e depois das festas ela sempre me espera na entrada...
Como se o resto da vida fosse o nada,
e eu fosse o ar que ela inala!
Como pode dizer que sou seu bem que lhe acalma?
Sei que é meu sustento, pernas e meus movimentos.
Ama a mim e lhe devo tanto respeito.
Se a magoei.. essa não foi a intenção de meus sentimentos.
Pois seu nome está tatuado em meu peito
e lembrarei sempre do seu doce maternal beijo.
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domingo, 8 de julho de 2007

O lugar certo para aninhar-me



Os meus pensamentos e a minha companhia estão sentados a sós em frente ao oceano.



Não foi preciso mais ninguém para sentir-me confortável. Pude vestir uma leve camisola, pegar uma taça de vinho e gastar todo o meu tempo neste conforto... apenas divagando.


Bebericar e ouvir o resmungar do mar.

Aqui eu criei o meu paraíso sem maçãs para tentar a minha impureza.
O mais irônico é que sempre detestei este lugar... Com toda a sua aspereza a roçar meus pés.
Agora fico aqui a desculpar-me pelas ofensas que fiz a esta entidade tão silenciosa e tranquilizante. Mas devo fazer-te a advertência de que ainda não amo.
como se essa última frase ajudasse no entendimento do texto.
Digo.
Entenda como quiser... Simplesmente não amo.
Apenas estou tentando permanecer parada por mais de 5 minutos sem ouvir vozes humanas.
Permanecer só em frente ao que parece infinito para os meus olhos.
Isso é quase uma permissão para eu poder pecar!

Não há nada nem ninguém para observar minha figura.
O que for feito não será provado.
E eu que achei que aqui não haveria maçãs... ou serpentes.
Mas... minha taça já está vazia... pela 4ª vez!
Disseram uma vez, que a água traz à tona a lucidez do homem; então dirijo-me ao meu companheiro oceano cambaleando e resolvo unir-me a ele.

É frio e sufocante aqui embaixo.
Reconfortante.

domingo, 24 de junho de 2007

É tão estranho no momento


Há algum tempo atrás andei desejando.
Pensando em coisas que não pensava,
afinal... antes daquelas trocas de palavras tudo era o mesmo
Era normal e sonolento.
Entretanto eu fui obrigada a querer,
por que você me deu algo que não consigo entender.
Não decidi se isso foi insignificante ou simplesmente tudo para o meu ser.

Entre fantasias e a irrealidade ocorreu o choque.
Foi em uma quinta-feira que acordei do sonho.
Ocorreu uma desconexão,
perdi o sinal que matinha-me ligada em você.
E hoje caio todas a noites com um peso no pensamento,
sobre o meu travesseiro...
Acreditando que seria bom,
que poderia ser.
Madrugadas chegam e confundem-me.

Acabo ligando o rádio para ouvir um blues
e até sinto vontade de fumar um cigarro...
Então vou até à janela,
aproveito as temperaturas congelantes e sopro...
Coloco para fora meu ar cheio de calor,
como a fumaça do cigarro black de menta.
Assim é bom.
Mais fácil para a distração,
pois a minha janela tem vista para o nada.
Monotonia existe de sobra para pensar no que não devo.

Você sabia que eu costumava saber voar?
Costumava ir até pertinho da lua para poder namorar.
Não tive a chance de te levar para passear.
Quem sabe um dia iremos lá.
Quem sabe?
Parece ser nada de mais,
mas é tudo a mais.
E já que nada sabemos da vida,
um dia poderemos nos encontrar em plena avenida
um dia..


ah que bela vista.





sexta-feira, 22 de junho de 2007

.Me magoa, magoa-me.

Ahh... é mágoa.
Como já dizia Carolina em uma canção.
É um algo a mais que tira o sono
e depois devolve em dobro
é viver no silêncio dos meus pensamentos
pensando a seu respeito

Não é mais sobre o meu amor.
Não são sobre paixões fora do tom.
É mágoa.
É sobre suas palavras.
Que me maltratam e me rasgam
E agora você está me deixando de lado

Ou prefere bater no rosto?
Nem se importa...
quando escorre lágrimas de meu olho.
E já é difícil distinguir outros gostos.
De tão salgadas minhas lágrimas
E nem se importa com minhas falas
Então por que não me deixa fazer as malas?
Iria embora
E nem olharia para você quando passasse pela sala.

Mas continua me deixando interrompida
Você empacou minha vida
Você atrasou mais um dia
A liberdade da minha agonia
E eu nem sei por que escrevo aqui ainda.

É incrível.
Como sempre me faz chorar
Cada dia, toda hora
E quer o meu sorriso estampado enquanto me olha.
Não quero estar assim
Com medo inclusive de mim
De ter que fingir
Abaixar a cabeça
Queria que isso não fosse o início e sim o fim.

É mágoa

Mas que seja
Estou cansada de mais para reagir
Se for isso que você deseja
Continuarei convivendo com a sua tristeza
Que já se tornou minha
Enquanto tira palavras da minha boca
E seca a minha saliva
Busco em meu quarto a sabedoria
Por que quase sempre é melhor ficar sozinha
Do que em sua companhia.

É a minha mágoa.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

.Pobres anjos.




Fale-me de anjos.
Fale-me de demônios.
São tão próximos, tão similares..
Um provém do outro.
Num composto de inconsciência e dúvidas.
Reais e inexistentes, ficam soterrados na mente
Enuviando à frente...
Misturas de medos e prazeres insistentes
.
Fale-me de seus demônios...
Você sabe que males habitam o seu corpo?
Todos têm medos... todos têm anseios... todos têm desejos...
todos têm desespero...
e incrivelmente, somente seus demônios iram lhe entender.
Sábios e fúteis demônios.
Que acarretam todas as suas podridões
E os únicos q perdoam suas emoções.
.
E os tão ingênuos anjos?
Tão bonitos, sem problemas... sem conflitos.
Pra que existem?
Pense e perceba que foram criados apenas para uma missão.
A de enterrar o ódio no peito.. no próprio coração.
Para enfim originar o pecado original e carnal.
É apenas um pequeno demônio nascendo sem sentir os momentos.
é a indiferença.
.
Apesar do pânico e pavor,
planando em meus ombros
Estou cedendo.
Deixo que você roube o restante de luz em meus olhos.
O frio, o arrepio... sobe pela minha espinha.
E a culpa é minha, só minha
Que não liberto meus sonhos e pesadelos...
Tudo preso na minha cabeça.
Meu degradante confinamento.
Acalmem-se demônios... Sei que não lhes dou nenhum conforto.
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Acho que é por isso..
Que vocês me perturbam durante o sono,
entre os meus sonhos.
Configurando-se em imagens pálidas,
congeladas na memória
Em constante fuga por uma vaga trajetória.
Tento disfarçar minha ânsia por vocês
A iniciante insanidade...
que está se cravando nas negras pupilas.
De um jeito tão covarde.
.
Amo a tontura leve e inebriante que começo a sentir
Seria você demônio maligno? Que voltou a me sucumbir?
Espero... Espero... Pela noite mais escura,
com minha alma não mais tola e pura.
Na escuridão, como se estivesse em meio a uma multidão
encontro-me só mas não perdida, divagando por uma cripta
em que determino daqui por diante, me enclausurar.
Prometo proteger apenas meus demônios.
Nunca mais irei amar e nem chorar.
Passarei o tempo todo esperando a lua chegar.
Por que meu sangue sobre o seu luar
Fica tão negro, com um brilho refletido em meu olhar.


ps: e o que restou para os pobres anjos?

sábado, 9 de junho de 2007

vanilla sky


As vezes, olhando para o céu, tenho a impressão que ele é feito de baunilha.
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Chego a sentir cheiros.
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Baunilha é doce e suave, traz lembranças ao sol.. quando lá fostes doce e suave.
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Achei que poderia ser bom.
Mas que pena... não foi!
Grande ilusão.
Fostes doce comigo no princípio.
Mas só para enganar-me.
Só para esconder que és engordante!
Nunca mais como-te!

terça-feira, 5 de junho de 2007

É... eu admito.



Acordei no mesmo horário de sempre.
(redundância)
Levantei com a mesma preguiça de sempre.
(redundância)

Entretanto,
após tomar banho, escovar os dentes e cabelos, vestir-me e esquecer-me do frio...
Parei.
Motivo algum me atrapalhava, porém, ao ouvir dois garis discutindo na esquina de meu prédio e sentir grande frio na minha nuca com curtos cabelos molhados...
Parei.
Quis acolher-me entre edredons, junto aquele lençol elétrico que aquece os pés mais gelados do inverno.
Não fui.
Esqueces-te que eu ainda estava com cabelos molhados? Ainda por cima, ruivas de farmácia tendem a manchar fronhas frequentemente.

Então busquei algo para fazer e fingi não dar importância ao fato de estar fugindo de meus compromissos. O que me resta é escrever algo sem importância que ninguém irá ler.

Estava agora, lembrando-me de certa aula... onde filosofamos sobre o universo. Pense no deserto do Saara e um grão de areia de sua imensidão... podemos fazer essa comparação com os nosso sistema solar dentro da via Láctea. Agora imagine que a via Láctea não chega a ser um mínimo grão de areia dentro do universo, afinal, ele é infinito (?)!!
Realmente somos o nada!

Com tamanha insignificância de minha pessoa, resolvi parar.
Parar de lembrar de sentimentos e melodramas.
Praticamente não existo.
Chega a ser engraçada essa situação, será que alguém entraria em uma crise de existência ao pensar nas possibilidades do mundo?

Muita complexidade para o meu pequeno ser.

Comecei o texto entediada e agora mais estou, achei que palavras me trariam conforto, mas após permanecer sentada por demasiado tempo, os músculos adormeceram e o frio aumentou. Não adianta... Não há prosa que substitua o escritor e nem poesia que substitua o poeta. Calor humano é preciso.

Vou deitar... a fronha que se dane.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

eu digo, tu dizes, ele diz, nós dizemos...


Senhora gorda e baixa levanta-se da poltrona com o seu crochê e vai atender a campainha que que já toca a 2 minutos.
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Porta abre.
Porta range.
Do outro lado encontra-se senhora curvada e magrela, com um olhar taciturno que espera de forma paciente.
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Quando os dois olhares turvos por trás dos 'óclinhos' se cruzam, monotonia não mais existe.
Sorrisinhos de dentes amarelos, dentaduras. Manchas do cigarro proibido na época de juventude.
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Entram.
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Qual seria a Zetilde e qual seria a Adiles?
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Ao sentarem-se, o silêncio faz os ratos pensarem que as portas estão se abrindo novamente. rangindo novamente. Como sempre.
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Zetilde: Estás atrasada!
Adiles: Sim, eu notei.
Zetilde: Iremos tomar chá?
Adiles: Sabes que não gosto de chá! Por que sempre pergunta-me isso? Quero algo mais 'quente'..
Zetilde: Desculpe-me, alguns dizem-me que é esclerose. Não lembro ao certo. Seria esse o nome? Esclerose?
Adiles: Se és não lembro-me.
(...)
zetilde: Vistes nossos novos vizinhos? Rapaz bonito, mas acho q a mocinha que o acompanha não serve para o propósito correto.
Adiles: Pois então, na nossa época servíamos para o propósito correto.
Zetilde: Todos diziam isso... "Ricas meninas"!
adiles: Voltando aos vizinhos... Não consigo acostumar-me com essa gente. Não nos compreendem apenas por que falamos dessas coisas!
Zetilde: Eu FALO, já tu.. tu gritas! Estás ficando surda!
Adiles: Hein?
Zetilde: SURDA!
Adiles: Ah! A causa deve ser os velhos tempos dos lindos bailes!
Zetilde: Arrepende-te?
Adiles: Oh! claro que não!
zetilde: bons tempos...
Adiles: Éramos as quem mais divertiam-se!
zetilde: É, mas éramos julgadas por isso.
Adiles: Nada importava e nem importa. Os tempos de cabaré foram os melhores anos da minha vida.
Zetilde: É, na minha também.